Ela tinha prometido não derramar mais uma lágrima. Queria ser forte, mas o mundo estava contra sua decisão.
Os gestos das mãos e dos corpos se envolvendo em um afeto machucavam. Os olhos começavam a arder, ela tinha vontade de correr o mais rápido que conseguisse e ir até o lugar mais alcançável enquanto gritava o mais alto possível até passar a dor que cortava seu coração, acompanhada de uma escuridão envolvente.
Tremia com as pauladas que levava a cada toque dado. Erguia a cabeça e tentava ser forte, mas por dentro sua alma chorava com a dor.
Queria fugir de tudo e de todos, queria ir para um lugar onde a chuva molhasse seu corpo limpando as feridas do seu coração. Onde o vento batesse contra e a confortasse. Onde o som dos galhos se quebrando brotasse esperança. Ela queria e podia esperar por tudo, menos por isso.
Ela desejava que a deixassem queimar, pois parecia que as pessoas se satisfaziam com a sua dor. Eram as cicatrizes que predominavam por dentro, e elas insistiam em dar uma lição que ela jamais aprenderia.
E no final a ardência e as batidas foram tantas que não conseguiu cumprir o que havia dito. Ela não se rebaixou, não deixou de ser forte, só estava cansada do que via. Era o filme que ninguém gostaria de ver passando pela sua vida. Era a dor predominando em um corpo sem culpa. Então deixem-na queimar.
Joana C. Fernandes.
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