Ela estava arrasada. Seus olhos já haviam chorado todas as lágrimas, seu coração já não havia concerto. A decepção se retratava em sua expressão, e ela já havia consumido com toda sua esperança. Então decidiu que o certo era recomeçar e voltar a sonhar com a sua nova e futura felicidade.
Enquanto escutava música, foi na frente do espelho que a metamorfose teve início. Em sessenta minutos havia se transformado no objeto de desejo de qualquer homem, então ligou para suas amigas e saiu.
Na festa, era o centro das atenções. Mas aonde ela queria mesmo estar era em casa no colo de sua mãe. No momento que olhou em volta, seus olhos congelaram em apenas um foco, e então toda a tristeza que neles vivia foi se transformando em ódio.
Ela entrou na pista; dançou, rebolou, bebeu. Fez tudo aquilo que um dia nunca sonhara em fazer. Então os garotos começavam a se aproximar, seu corpo se encolhia cada vez mais tentando procurar um esconderijo. Suas amigas não entendiam o que estava acontecendo. Ela olhou para todos os lados em busca de uma saída, mas a única coisa que encontrou foi um abismo profundo acompanhado de longos cabelos negros e olhos castanhos.
Foi nesse instante que a atitude invadiu seu corpo. Ela tomou o último gole de sua bebida e decidiu que mesmo seu coração e mente entrando em guerra, ali começaria uma nova fase de sua vida.
A música soava na batida perfeita, as luzes invadiam a cabeça de todos. Ela estava nos braços de outro garoto. Seu coração gritava com a dor, seu instinto mandava continuar, seu corpo enojava-se a cada toque.
O seu maior desejo jamais seria realizado, então foi se transformando em busca da armadura perfeita. Em alguns dias estava irreconhecível. Precisava de qualquer jeito tirar tudo aquilo da cabeça. Foi entrando em um mundo que não pertencia. Foi afundando-se em si mesma. Dentro dela, esperança tentando fluir no meio de tanta amargura. Por fora, roupas sensuais e salto alto. Metamórfica, mais que isso, uma garota iludida.
Joana C. Fernandes.
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